
No meu pais, o crime é avaliado conforme o autor e não segundo acções. O mesmo sistema que ‘questionou’ Azagaia por incitar à violência...agora faz ‘olhos de mercador’ para Afonso Dhlakama.
Quando o cidadão Edson da Luz, mais conhecido por Azagaia, escreveu e gravou a faixa Povo no Poder’, foi chamado para prestar esclarecimento na Procuradoria da Republica que pretendia saber até que ponto a letra da canção incitava ou não à violência.
O lançamento da faixa de Azagaia, coincidiu com os eventos do 5 de Fevereiro em que populares foram as ruas, manifestarem-se de diversas formas, contra o aumento do preço dos transportes, na sequência do aumento do preço dos combustíveis.
Numa autentica ameaça a liberdade de expressão artística, a Procuradoria e alguns seguimentos da sociedade, chegaram a colocar a hipótese de ‘Povo no Poder’ teria contribuído para motivar alguns populares a irem às ruas destruir tudo o que viram pela frente.
Esqueceram-se eles que a musica era a tradução de um evento que já tinha acontecido. Se incitava ou não a outro evento igual no futuro, isso não sabemos, pois nunca ficou esclarecido como terminou o processo Azagaia.
Ouvi dizer que se tratava apenas de um processo de esclarecimento normal.
Não condeno o sistema por ter solicitado 'esclarecimentos' de Azagaia. Afinal, mais vale prevenir do que remediar.
Condeno sim, o facto de o mesmo sistema não usar a regra de 'Prevenir para não Remediar', com todos os cidadãos, independentemente de cor, raça, etnia ou filiação partidária.
O sistema esqueceu-se ou finge ter-se esquecido, de 'assediar' o Sr líder da oposição, Afonso Dhlakama que durante dias seguidos apareceu na televisão e radio, a declarar que o pais iria arder caso os resultados eleitorais não fossem favoráveis a si e ao seu partido.
Para colocar mais combustível na fogueira, o sr. Dhlakama apareceu mais tarde em publico, a dizer que 'Nunca' dissera que iria colocar o pais em chamas. Segundo ele, seria o próprio povo a faze-lo por não concordar com os resultados eleitoras.
De acordo com Afonso Dhlakama, o povo estava a preparar-se para ir à rua, manifestar-se contra uma alegada fraude, e que se a policia usasse a violência, o povo também responderia com violência, e dai como formula magica, surgiria o tal ‘arder do pais’.
Mais valia a pena ele ter continuado a ameaçar colocar fogo ao pais, pois ai o maximo que poderia ter acontecido era ser rotulado de 'louco'.
Ao mudar de disco atribuindo a autoria do provável 'incêndio' ao povo, a menos que goze de alguma imunidade especial contra abusos de linguagem, Dhlakama está agora, simples e claramente, a incentivar/incitar o povo a ressurgir-se violentamente contra as autoridades...
É realmente uma pena que a Procuradoria não assista tantas vezes a televisão ou escute a radio, como escutou a letra de Povo no Poder.





