As eleições Moçambicanas de 2009 foram também, marcadas pela qualidade da cobertura jornalística dos media nacionais. Este ano, mais do que nunca, os órgãos de informação moçambicanos esforçaram-se para mostrar ao publico o que se estava a passar no terreno.A azáfama era tanta, que muitos se esqueceram das regras básicas que regem esta profissão, principalmente quando se fala de Cobertura Eleitoral. E duas dessas regras são do conhecimento de todos:
- Imparcialidade aliada a capacidade de gerir emoções (felicidade, raiva, excitação, tristeza, etc).
- Promover acesso a informação para todos os cidadãos, independentemente da raça, etnia...e côr partidária.
Até hoje não percebi porque é que para alguns órgãos de informação só era importante o que a Frelimo, Renamo e MDM faziam...mesmo sabendo que para este escrutínio concorreram quase duas dezenas de formações políticas.
Também não percebi porque é que alguns repórteres, mesmo depois de terem sido aconselhados a não faze-lo, continuavam a usar expressões que exaltavam a uns e humilhavam a outros intervenientes neste processo.
Não sou apologista da perfeição humana. É escusado dizer aqui, que como seres humanos, os jornalistas têm a fraqueza de se deixarem dominar pelas emoções. Entretanto, é importante recordar que para evitar constrangimentos, recomenda-se que em épocas eleitoras, os mais apaixonados, se abstenham de fazer a cobertura e se dediquem somente a campanha.
Também não sou defensora da imparcialidade jornalística. Alias, acho que é que uma utopia acreditar num cenário em que todos (ou a maioria) dos jornalistas seja imparciais.
Para mim, o jornalista não é imparcial nem na cobertura dos mais simples factos. A imparcialidade deixa de existir a partir do momento em que ao decidir escrever um artigo, o jornalista elege a fonte que acredita ser a melhor para determinado ângulo, que ele (mais uma vez) acredita ser o mais correcto. Depois vem a fase da escrita, em que mais uma vez, é o jornalista que escolhe o lead (o que/ quando/onde/como/porque) e a ordem de colocação dos factos. Ao leitor/espectador/ouvinte caberá a tarefa de receber o produto final, totalmente ‘embebido’ da tal ‘imparcialidade’ do jornalista.
Alguém dizia: “O jornalismo é a arte de informar e transformar. É a batalha pela conquista de mentes e corações”. Concordo plenamente, desde que fique claro, no inicio dessa batalha, a que lado se pertence.
O que não vale, é um jornalista/órgão de informação que se declare imparcial, apareça a conduzir reportagens/entrevistas cheias de ideologia e juízos opinião. Isso de certeza, não é profissionalismo...muito menos isenção ou imparcialidade!




